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sexta-feira, outubro 12, 2007

O Poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem

O
poema alguém o dirá

Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo


In "Livro Sexto" – 1962

Sophia de Mello Breyner Andersen
(1919 – 2004)

segunda-feira, maio 28, 2007

[75] Se tanto me dói que as coisas passem

"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem"

Sophia de Mello Breyner Andresen


Brigada, Sara. Dá que pensar...